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outubro 27, 2016

Poeminha da semana

Depois de estar dentro e fora de mim mesma
descobri que sou bonita assim:
os pés descalços na terra úmida;
o sereno como música e a Lua cheia como espelho;
um sorriso frouxo e os zóin sem dono

-Por Paula Bianchini

outubro 19, 2016

Conexão infinita


Foto autoral

Tem uma ligação muito especial entre o ato de se conhecer e agir conforme o que engloba cada gosto de cada pessoa. É claro que se conhecer, no sentido de ter consciência da própria identidade, gostos pessoais e habilidades é uma descoberta sem fim e que exige muitas vezes observar o passado, que explica os motivos mais profundos das ações do presente e desejos futuros. Se conhecer, portanto, acaba por ser uma ligação eterna entre o passado e o presente. O futuro, este que é tão temido muitas vezes, só é uma mistura do acaso com gostos pessoais e escolhas.
A incerteza, que também é trazida pelo futuro, faz ele ser temido, esperado com certo receio. De fato, imprevisibilidade é uma característica marcante do tempo, que é o melhor amigo do futuro, porém o autoconhecimento e a autobservação diminuem a insegurança do novo. O que está por vir não pode ser previsto, domado, controlado, porém o futuro não precisa ser e não é algo sofrido quando cada um se conhece e se sente apto para tomar decisões que estão dentro dos gostos pessoais. Só autoconhecimento pode diminuir a aflição do que está por vir, pelo fato de que as escolhas que guiam o futuro serão tomadas respeitando o gosto e valorizando as habilidades individuais.
Apesar do fato de que nem todas as situações permitam apenas caminhos agradáveis e esperados,  quando o autoconhecimento é buscado por alguém, cria-se uma atmosfera individual que engloba a pessoa e consequentemente feridas por decisões precipitadas podem ser evitadas. Ao se conhecer as pessoas tem consciência de como elas funcionam, tanto no sentido emocional, quanto no racional, e então as situações podem ser enfrentadas com mais facilidade e as decisões tomadas tornam-se extensões naturais dos gostos pessoais.
O autoconhecimento é uma conexão interminável e extremamente individual, além de recompensadora. Só vai atras dessa observação sobre si mesmo quem se permite olhar para as próprias qualidades e defeitos, e ser feliz apesar das dificuldades e obstáculos naturais que inevitavelmente cruzarão os caminhos... afinal, nem todo obstáculo é necessariamente uma pedra.

outubro 17, 2016

Espinho em armadura

Foto autoral

Pontas, espinhos, áspero, feridas abertas, machucados incuráveis. A armadura de pontas que são os espinhos são vistos por quem usa como autoproteção mas para quem está de fora, não é nada além do exagero de um passado cruel. Espinhos não espantam apenas quem esta de fora, afastam também quem está dentro, afinal, os espinhos apontam pra fora ao mesmo instante que apontam para dentro.
Irônico pensar que quem usa se machuca, até sem perceber. Apesar disso, o pior ainda é a prisão na gaiola dos espinhos por opção própria. O aprisionamento é uma opção, usar a armadura espinhosa é uma escolha, sim. Por mais dolorida que seja, ou imperceptível quando não se quer reconhecer, ela machuca até sangrar.
Tirar o peso dos espinhos não é fácil, mas é recompensador. O bacana, no caso, não é aguentar mais tempo com a tormenta dos machucados internos e afastamentos das pessoas; o bacana, é reconhecer o quanto antes e tirar de vez os espinhos e deixar as feridas arejarem e cicatrizarem, por si próprias. Um remédio amigo ajuda, dica.

outubro 06, 2016

Escolhas até em um caminho sem volta


Foto autoral, @claradavn

A dinâmica dos grupos é uma coisa que me encanta, mais nas últimas semanas do que nunca. Recentemente eu passei por uma experiencia de mudar de classe, e mudei de uma sala que eu já estava enturmada e já tinha feito amizade e trabalhos com várias pessoas, para uma sala da qual eu não conhecia previamente ninguém e que eles já se conheciam entre si. Foi difícil no começo, não tenho como esconder, pelo fato de que relutei em acreditar que não poderia voltar para a sala da qual eu nem queria ter saído.
A partir do momento em que eu deixei o motivo pelo qual tive que mudar de lado, escolhi não sofrer mais por uma coisa que não posso controlar. A mudança de turma era algo que até certo momento eu quis reivindicar, mas percebi que não tinha nada que pudesse ser feito para isso, e com isso, minha única saída e escolha foi aceitar a situação e não sofrer ainda mais por isso. Aprendi que o sofrimento é uma questão de escolha, sim, mesmo não parecendo.
Passadas algumas semanas (poucas semanas até, eu diria), me vi identificada com algumas pessoas que nem me lembro direito como comecei a conversar. Nessa época eu não estava receptiva às novas pessoas, mas por curiosidade delas mesmas contei um pouco do porque eu mudei de sala e abri os sentimentos de incompreensão da situação e saudade da turma antiga. Literalmente, eu dividi um peso que estava comigo, só comigo, e percebi pelas pessoas que não precisava encarar a situação assim. Um fato interessante é que tanto na outra turma como nessa eu tenho a estranha ou maravilhosa sensação de que eu já conheço as pessoas há muito mais tempo do que de fato é cronologicamente. É uma sensação de identificação que tenho certeza que só quem já sentiu sabe o que é.
Depois de mais algumas semanas, já me vi inserida na nova classe, todos já sabiam meu nome (eu acho), e as dúvidas de como estava a aula na outra sala já não eram tão frequentes na minha mente. Apesar de não estar mais com eles, eu tenho saudades e sei que se as coisas foram como foram tem um motivo maior, que eu posso não saber exatamente agora, mas tem. Talvez seja um motivo para mim, para a sala que deixei ou quem sabe para a atual... ou para todas essas pessoas, de alguma forma.
Tá, mas onde entre a tal dinâmica de grupo? É nesse momento que estou agora que percebi o meu lugar no outro grupo e o meu lugar nessa sala atual. Eu sou a mesma pessoa, que teve experiencias intensas e significantes, mas minha essência é a mesma. Isso me fez concluir que os grupos, se funcionam ou não, dependem inteiramente de cada pessoa e da combinação de determinadas pessoas, de modo não aleatório e complexo. Na outra sala as aulas, as dúvidas e o dia a dia era desencadeado pelas pessoas de lá, com vivencias individuais que compartilhavam isso e questionavam as aulas de forma pessoal. Nessa turma, a mesma coisa, porém com a diferença de que as pessoas são outras e as dúvidas que são levantadas, por exemplo, são outras. Teve momentos que percebi que na outra sala certas situações jamais teriam acontecido, sem desmerecer nenhuma das turmas. Por isso, os grupos são ainda mais peculiares e únicos do que cada pessoa, por serem a combinação de várias pessoas com tudo o que cada uma delas engloba como ser humano.


Será mesmo que ainda não percebi o por que disso tudo ter acontecido comigo?
Acho que ainda vou descobrir muito mais.

agosto 02, 2016

Encaixadas estar as peças devem

Ouça. O texto foi escrito ao som desta música.


É estranho pensar que amadurecer envolve uma série de encruzilhadas. Encruzilhadas que levam para caminhos. Caminhos escolhidos que envolvem responsabilidade e a dúvida básica existencial. Dúvida básica existencial que se resume em escolher ir para a direita assumindo a perda de não ir para a esquerda. Esquerda essa que poderia ser melhor, ou não, mas só se sabe disso tomando a decisão.
Crueldade pensar nas decisões, já que elas são injustas e só nos mostram as consequências quando escolhidas. Se for escolhida de forma errada, já era. Melhor guardá-la mentalmente como aprendizado, pode ser usado mais pra frente.
Nada é por um acaso. Nenhuma gota de chuva cai na cabeça de quem não deveria. Nenhuma folha cai se não tivesse que ter caído. Escolhas simples são um treino para as grandes, que inevitavelmente virão, pode acreditar. Por isso, as escolhas são como peças pequenas de um grande quebra cabeça, mas importantes que um dia fazem sentido se observadas de longe.
A vida segue com mais leveza e na hora certa as peças do cotidiano se encaixam em uma grande quebra cabeça. Um dia após o outro segue e os caminhos vão aos poucos acontecendo. Cada dia mais o desenho todo vai se encaixando, e a imagem começa a fazer sentido. Por isso que cada peça é importante por menor que seja, e no final de uma vida todas elas se encaixam e contam uma história.

julho 31, 2016

Dores da carne

É impressionante como sentir dor muda o ser humano, deixa tudo ainda mais intenso, as cores tornam-se mais cinzas ou algumas vezes mais vibrantes e irritantes, ao mesmo tempo. O dia que nasce cinza podia nem ter nascido. Ações simples tomam um peso imenso diante da sensibilidade que a dor provoca nas pessoas.
Vivi uma experiência que voltou na minha mente antes de dormir, de tão comovente. Sou suspeita pra falar, pois como disse, a dor deixa as pessoas ainda mais sensíveis então considere isso ao ler a história abaixo.
Me vendo pelo espelho, ouvindo o som da tesoura e com meu cabelo ficando cada vez mais curto, conversava com o cabeleireiro. Ele reclamou dos médicos pra mim, que toda a vez que vai na consulta escuta a mesma coisa, como se fosse uma gravação. O pior não é esse, se ao menos a dor dele passasse e as dúvidas dele fossem tiradas estava bom. Eu recentemente senti a dor de uma fratura, mas não tenho como entrar no mesmo "clube" que ele, afinal, não sei como é sentir essa dor a tanto tempo e com tanta intensidade.
Na hora de acertar quanto ficou o corte eu sabia muito bem que teria de pagar dois cortes. Ele só somou um corte e uma escova mas eu lembrei ele que da última vez que estive lá não acertei o corte e estava pendente. No momento em que eu contei pra ele fui honesta e percebi que valeu a pena ter contado, vi nos olhos dele mais confiança em mim.
Apesar de ter acertado tudo com ele, acabei perdendo um almoço com o meu pai nesse meio tempo de conversar com o cabeleireiro. Tenho certeza que apesar das dores não terem passado, nem os médicos terem ao menos esclarecido as dores dele eu mudei a manhã do cabeleireiro ao ser honesta. Momentos simples como esse dão esperança as pessoas quando elas precisam, fazem a vida ser mais leve, mesmo com as dores possíveis da carne.
Dor não é algo muito simples, mas pode deixar as pessoas mais sensíveis a serem mais empáticas.

maio 11, 2016

Seres únicos



Estar em um ambiente onde você é totalmente reconhecida por ter habilidades manuais, reconhecer detalhes com frequência e ter papos sobre cores e estilo te faz único por ser diferente. Essas características que foram descritas me fazeram singular, como a pessoa que entende um pouco mais de estética e tem facilidade com questões artísticas. Estava eu na escola.

Com o passar de um tempo, me vi em um ambiente onde ser exclusivamente a pessoa que repara em detalhes, gosta de costura e modelagem não me diferenciava mais. Estava eu na faculdade, com pessoas a minha volta a todo que tinham gostos, habilidades, interesses muito parecidos com os meus. Me vi cercada de profissionais que também já tiveram a minha idade e já tem muito mais experiência e conhecimento no assunto que eu (e outras pessoas) também querem aprender.

Em ambos os momentos, tanto no primeiro grupo, como no outro, a singularidade aparece como definição. A diferença, porém, é que no primeiro momento (descrito no primeiro parágrafo) a singularidade é vista por ter apenas uma pessoa (no caso, eu) que se identifica com assuntos que as outras não tem tanto interesse. Portanto eu me tornei conhecida por isso. Já no segundo momento, descrito no segundo parágrafo, a unicidade se dá justamente por ser um grupo grande de pessoas que têm os mesmos interesses, então o grupo é homogêneo, singular e único nesse sentido. 

Apesar dessas duas situações, seja lá em qual grupo você estiver no momento saiba que único você nunca vai deixar de ser.

abril 15, 2016

Tempo não é remédio

insta: @claradavn


Ao contrário do que dizem por aí, tempo nunca foi o melhor remédio pra curar nada. Nem coração partido, nem não correspondido.
Não é verdade que você já se parou pensando nele quando estava na fila do mercado ou no metro? Pois é, mesmo passando um tempo ele ainda estava presente.
Então o que faz mesmo as coisas terminarem é você mesma entender o porque que tudo mudou. Se foi distância, falta de química, ou se foi o destino mesmo separando o que nunca foi pra ser.
Tempo não limpa a sua cabeça dele, ao contrário, se tiver mal resolvido o tempo vai ser seu pior inimigo. Mas aí que entra o destino.
Esse, ainda bem, está do seu lado, aquela vozinha lá dentro que sabe que nada é por um acaso é que todo o fim é também um recomeço. Recomeço de você mesma, do que você pensava e não pensa mais, e agora olha lá pro cara que sempre está tentando te conquistar e você nunca deu bola. 
Não é mesmo o destino que adora pegar as pessoas desprevenidas?

março 21, 2016

Em (ca)c(os)

Falta de conversa.

Você passou pela minha vida como um furacão passa pelos Estados Unidos e faz história. Deixou meus restos picados, rasgados, espalhadas pra todo o canto.
Tento me recompor até hoje, entre conversas com amigas e momentos sozinha.
É bom quando eu me pego concentrada em um trabalho da faculdade, realmente foco naquilo e nada mais do que passou toma minha mente, por alguns minutos, que seja.
Mas no fundo, no fundo, há uma cicatriz aqui dentro sangrando e sangrando muito. Há tempo de limpá-la, antes de cicatrizar desse jeito tão grotesco. Eu sei que ela ainda dói porque no ônibus, na aula de antropologia, em uma música mais triste meu olho enche de lágrimas e minha cabeça lembra de você.

Se você soubesse quantas vezes já passou pela minha cabeça te ligar pra conversar, te mandar mensagem (mas pelo amor, pra conversar direito e por telefone) sobre o que aconteceu. Chega de mais mal entendido, subjetividade, ou ciúmes besta. Conversar para resolver mesmo, independente de qualquer coisa. 
Me liga assim que der??

março 08, 2016

Nasci livre - é verdade. Ou melhor: nasci com asas. Nem sempre soube voar e por muito tempo não quis. De meus irmãos, fui a última a sair do ninho para enfrentar o famoso "mundo lá fora". Ainda assim, não vou cair em idealizações: a vida lá era cheia de um bege enjoativo e por vezes o vento levava grande parte de seu aconchego. A verdade é que tinha medo, assim como minha mãe. Coitadinha - nunca aprendeu outra existência que não a de "mãe". E é por isso que se agarrava a seu último filho como à própria existência.
Mas os ventos sempre sopram em muitas direções e naquela noite eles sopraram. Me levaram para Longe, um lugar instável e isolado onde, de inicio, só conseguia cair em desespero. Os gritos de minha mãe, ao longe, implorando para que eu voltasse, já não podiam ser atendidos. No último instante, quando o galho que me sustentava estava prestes  se romper eu voei.
Dores imensas e prazeres imensos se seguiram. Sem dúvida, valeu cada pena perdida na queda. Passei semanas com beija-flores, meses com sabiás. Eram pássaros de todas as cores. Enquanto as araras eram graciosas, os papagaios me davam nos nervos. E, ah, a grande ironia: toda essa experiência sempre me levava ao pinguim.
Após me tornar próxima o suficiente, acredito ter uma revelação de utilidade pública: não é verdade que ele não sabe voar, a verdade é que não quer. Talvez nem ele próprio saiba disso, mas tudo aquilo que vemos em cima da terra ele vê de forma infinitamente mais bela debaixo d'água. Não precisa voar porque já sabe nadar. De todos, o único que me fez querer ficar. Não fiquei.
De tempos em tempos, uma corrente de ar desestabiliza o meu caminho e me oferece - quase que obriga - uma nova viagem. Tenho uma confissão: já estou cansada de viajar. Sinto-me como que numa eterna espera do Perto, um lugar para descansar. Talvez como aqueles domesticados que, desconhecendo a vida fora da gaiola, acreditam ser só aquilo. Ouvir dizer que ganham comida sem precisar se mover e, se forem dóceis o suficiente, até cafuné!
Muitas vezes, quando o sol está a pino numa linda praia deserta onde posso desfrutar de pequenos mergulhos, sinto falta do frio para me obrigar a procurar abrigo nas nadadeiras do pinguim - hoje devidamente ocupadas por alguém de sua espécie. Se pudesse, trocaria minhas asas por nadadeiras sem pensar duas vezes. Mas os ventos sempre sopram e eu não sei nadar.
Penso que talvez aquele papagaio irritante e burro, após tanto distorcer o que ouviu, finalmente tenha dito algo certo: quem nunca aprendeu a não voar, não aprendeu a voar de verdade - é só escravo do vento.
 
Escrito por Paula Bianchini, primeiro texto dela no blog

fevereiro 04, 2016

Texto básico da escolha

Nunca duvidei que fazer o que eu gosto era a melhor opção. Dinheiro não compra felicidade, muito menos faz você levantar animada às 5:20 de uma segunda feira pra ir pra faculdade. 
Desafios tem em qualquer carreia e qualquer coisa que não é familiar ainda. Já viu alguém desenhando consideravelmente bem na primeira vez?? Já viu um modelista se quer fazendo a primeira peça sem ter que fazer nenhum ajuste??
Pois é, nem eu!
Isso tudo é pra dizer que mais do que fazer certo vale errar e aprender com os erros. Além do mais, ter esperança de que pode dar certo, sabendo que antes disso vai dar errado vaaarias vezes. Melhor do que ter expectativas que só te levam a frustração, porque sim, você vai errar e terá que aprender com os erros pra chegar no melhor resultado esperado!
Então, faça sim o que você mais ama e ame o que você faça! Tenha a certeza de que não vai sair perfeito de uma primeira vez, mas que, apesar disso, você vai continuar tentando e concertando os erros até aprimorar e chegar onde você quer! Tudo começa com amor, não fazer o que você realmente gosta não te motiva e não te dá satisfação no resultado... vai por mim! ;)