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outubro 06, 2016

Escolhas até em um caminho sem volta


Foto autoral, @claradavn

A dinâmica dos grupos é uma coisa que me encanta, mais nas últimas semanas do que nunca. Recentemente eu passei por uma experiencia de mudar de classe, e mudei de uma sala que eu já estava enturmada e já tinha feito amizade e trabalhos com várias pessoas, para uma sala da qual eu não conhecia previamente ninguém e que eles já se conheciam entre si. Foi difícil no começo, não tenho como esconder, pelo fato de que relutei em acreditar que não poderia voltar para a sala da qual eu nem queria ter saído.
A partir do momento em que eu deixei o motivo pelo qual tive que mudar de lado, escolhi não sofrer mais por uma coisa que não posso controlar. A mudança de turma era algo que até certo momento eu quis reivindicar, mas percebi que não tinha nada que pudesse ser feito para isso, e com isso, minha única saída e escolha foi aceitar a situação e não sofrer ainda mais por isso. Aprendi que o sofrimento é uma questão de escolha, sim, mesmo não parecendo.
Passadas algumas semanas (poucas semanas até, eu diria), me vi identificada com algumas pessoas que nem me lembro direito como comecei a conversar. Nessa época eu não estava receptiva às novas pessoas, mas por curiosidade delas mesmas contei um pouco do porque eu mudei de sala e abri os sentimentos de incompreensão da situação e saudade da turma antiga. Literalmente, eu dividi um peso que estava comigo, só comigo, e percebi pelas pessoas que não precisava encarar a situação assim. Um fato interessante é que tanto na outra turma como nessa eu tenho a estranha ou maravilhosa sensação de que eu já conheço as pessoas há muito mais tempo do que de fato é cronologicamente. É uma sensação de identificação que tenho certeza que só quem já sentiu sabe o que é.
Depois de mais algumas semanas, já me vi inserida na nova classe, todos já sabiam meu nome (eu acho), e as dúvidas de como estava a aula na outra sala já não eram tão frequentes na minha mente. Apesar de não estar mais com eles, eu tenho saudades e sei que se as coisas foram como foram tem um motivo maior, que eu posso não saber exatamente agora, mas tem. Talvez seja um motivo para mim, para a sala que deixei ou quem sabe para a atual... ou para todas essas pessoas, de alguma forma.
Tá, mas onde entre a tal dinâmica de grupo? É nesse momento que estou agora que percebi o meu lugar no outro grupo e o meu lugar nessa sala atual. Eu sou a mesma pessoa, que teve experiencias intensas e significantes, mas minha essência é a mesma. Isso me fez concluir que os grupos, se funcionam ou não, dependem inteiramente de cada pessoa e da combinação de determinadas pessoas, de modo não aleatório e complexo. Na outra sala as aulas, as dúvidas e o dia a dia era desencadeado pelas pessoas de lá, com vivencias individuais que compartilhavam isso e questionavam as aulas de forma pessoal. Nessa turma, a mesma coisa, porém com a diferença de que as pessoas são outras e as dúvidas que são levantadas, por exemplo, são outras. Teve momentos que percebi que na outra sala certas situações jamais teriam acontecido, sem desmerecer nenhuma das turmas. Por isso, os grupos são ainda mais peculiares e únicos do que cada pessoa, por serem a combinação de várias pessoas com tudo o que cada uma delas engloba como ser humano.


Será mesmo que ainda não percebi o por que disso tudo ter acontecido comigo?
Acho que ainda vou descobrir muito mais.

setembro 30, 2016

Dezenas de um


Caleidoscópio (foto autoral)

Foi no meio de dezenas de pessoas, em um sábado à noite que eu percebi o quanto uma multidão pode aumentar a singularidade de cada um. Ao contrário do que parece, uma multidão de pessoas pode fazer com que cada um desapareça é tudo fique como uma massa única. Mas também pode fazer com que a unicidade de cada um se ressalte e dentro de um grupo heterogêneo, a unidade se dê pela mistura de características específicas de cada um.
Obviamente os aspectos, hábitos, pensamentos e comportamentos serão semelhantes entre um e outro, mas é justamente nesse ponto que as pessoas passam a se diferenciar; exatamente por terem pontos em comum e diferentes que as pessoas se tornam únicas e são provas vivas de que mesmo com algo em comum as pessoas podem ser individuais.
Além, é claro, de uma série de outros fatores que influenciam cada um. Enfim, de uma forma poética as pessoas são como eventos sucessivos, incontroláveis e espontâneos, dos quais são comumente chamados de vida.

setembro 06, 2016

Contra tempo

O tempo que é dito muitas vezes como o único remédio se zangou comigo. Por algum motivo, que ele mesmo não me mostrou ainda, sinto que ele está brincando de esconde esconde comigo. Eu não tenho mais idade para essas brincadeiras, mas não tenho saída, estou em função do movimento dele. Os ponteiros do relógio estão sendo irônicos, agindo em câmera lenta, retrocesso ou algo do tipo... Estaria eu caindo no País das maravilhas? A caminho de uma descoberta fantasiosa?
Para essa é para várias outras perguntas eu ainda não sei a resposta. Espero que o mesmo que está sendo irônico comigo me mostre bons motivos para a demora nas respostas. Ah, só avisando, já estou esperando um bom motivo que eu sei que no momento certo irão aparecer. Só não demora muito, tá? Ou pelo menos não tanto pra eu desacreditar que essas mudanças recentes trarão algo bom.

agosto 30, 2016

Dor de existir

"Da maneira com que uma pessoa assume o seu destino inevitável, assumindo com esse destino todo o sofrimento que se lhe impõe, nisso se revela, mesmo nas mais difíceis situações, mesmo no último minuto de sua vida, uma abundância de possibilidades de dar sentido à existência." Viktor E. Frankl

Essa é uma das frases maravilhosas e muito interessantes que o livro "Em busca de sentido" tem! Já aviso que o livro tem historias de um sobrevivente do campo de concentração impressionantes e curiosas de se ler, porém, não deixam de ser brutais. Recomendo para quem quer saber um pouco mais sobre as possíveis respostas para uma questão existencial comum: Qual o sentido disso tudo que chamamos de vida?
Além disso, o livro relata outros aspectos da vida no campo de concentração, como espiritualidade, como era a relação entre eles, quais as estratégias criadas por eles mesmos para minimizar as circunstancias e etc.

Para dar só mais um gostinho do livro, deixo aqui mais um trecho: "A maioria se preocupava com a questão: 'será que vamos sobreviver ao campo de concentração? Pois caso contrário todo esse sofrimento não tem sentido'. Em contraste, a pergunta que me afligia era outra: 'Será que tem sentido todo esse sofrimento, essa morte ao nosso redor? Pois caso contrário, afinal de contas, não faz sentido sobreviver ao campo de concentração.' Uma vida cujo sentido depende exclusivamente de se escapar com ela ou não e, portanto, das boas graças de semelhante acaso – uma vida dessas nem valeria a pena ser vivida."

Além dos relatos worthreading, tem também no final do livro os conceitos fundamentais da Logoterapia, da qual o autor (sobrevivente do campo de concentração e psiquiatra) desenvolveu!

Em busca de sentido, de Viktor E. Frankl! Depois me conta o que achou do livro!

maio 17, 2016

Poema

Gota viva, mas se prende ao galho morto
Não desiste, não insiste, não se arrisca
Pois sabe que se cair em mim vira poema


Deixa fazer risco - a ferida cicatriza
Não vê prova nos meus olhos?
Não reprova os nossos sonhos


Se você soubesse:
É sempre a falta
De você-outros
Que me faz seca
Que me enlouquece


Se você deixasse:
O vento-tempo
Em si traria
A poesia - anestesia
Em nosso enlace


Se você insistisse
E se eu arriscasse
E se você ficasse
E se o nó sumisse
E se nós
           .
           .
           .
         nós

maio 11, 2016

Seres únicos



Estar em um ambiente onde você é totalmente reconhecida por ter habilidades manuais, reconhecer detalhes com frequência e ter papos sobre cores e estilo te faz único por ser diferente. Essas características que foram descritas me fazeram singular, como a pessoa que entende um pouco mais de estética e tem facilidade com questões artísticas. Estava eu na escola.

Com o passar de um tempo, me vi em um ambiente onde ser exclusivamente a pessoa que repara em detalhes, gosta de costura e modelagem não me diferenciava mais. Estava eu na faculdade, com pessoas a minha volta a todo que tinham gostos, habilidades, interesses muito parecidos com os meus. Me vi cercada de profissionais que também já tiveram a minha idade e já tem muito mais experiência e conhecimento no assunto que eu (e outras pessoas) também querem aprender.

Em ambos os momentos, tanto no primeiro grupo, como no outro, a singularidade aparece como definição. A diferença, porém, é que no primeiro momento (descrito no primeiro parágrafo) a singularidade é vista por ter apenas uma pessoa (no caso, eu) que se identifica com assuntos que as outras não tem tanto interesse. Portanto eu me tornei conhecida por isso. Já no segundo momento, descrito no segundo parágrafo, a unicidade se dá justamente por ser um grupo grande de pessoas que têm os mesmos interesses, então o grupo é homogêneo, singular e único nesse sentido. 

Apesar dessas duas situações, seja lá em qual grupo você estiver no momento saiba que único você nunca vai deixar de ser.

abril 20, 2016

Marque a página

 
Hoje é Dia Mundial da Leitura e estréia da tag livros no blog, acho que a data não podia ser mais perfeita hahaha
Escritos por Jenny Han os livros "Para todos os garotos que já amei" e a continuação "Ps: Ainda amo você" contam com conflitos típicos da adolescência. Lara Jean é uma adolescente que mora com suas duas irmãs e seu pai. Ela tem várias cartas de amor guardadas e a emoção da história começa quando ela descobre que alguém enviou essas cartas aos destinatários. Com isso, a vida dela muda completamente e ela se questiona se foi mesmo algo ruim as cartas terem sido mandadas, mesmo sem ela querer.

Durante a história inteira, Lara se depara com situações como o primeiro amor, sua melhor amiga de infância, Genevieve, que se afastou, e também questões com outros personagens, como o termino do namoro da irmã e a vida amorosa do pai após a morte da mãe.

É uma leitura muito gostosa e muito rápida! A história é toda contada pela Lara Jean, de uma maneira muito divertida. Uma parte que eu gostei muito da história é quando ela reencontra os amigos de infância e percebe como cada um deles mudou e como entre eles mesmos as relações mudaram, seja por ter namorado ou ter se afastado ao longo dos anos.

Todos os conflitos são muito bem resolvidos e foram explicados ao longo da história, mantendo a curiosidade até o final! Apesar de vários conflitos, é um livro pra distrair e relaxar, por ser escrito de uma maneira simples de ler! Recomendo muito a leitura!


Me conta o que você achou!

abril 19, 2016

Dica de passeios

São Paulo é sempre um prato cheio pra ir a exposições e fazer programas culturais. A dica de hoje é aproveitar o feriado e visitar as exposições que estão rolando! Separei duas muito legais!

Sesc Vila Mariana




Lágrimas de São Pedro - Vinícius S.A.

Lágrimas de São Pedro - Vinícius S.A.

Maquete trecho inaugural da cicloviaérea - Jarbas Lopes 

Jarbas Lopes


Desenhos do Guia Fantástico de São Paulo - Ángela León


Ángela León
 


Barravento - Rodrigo Bueno


Barravento - Rodrigo Bueno



No Sesc Vila Mariana, próximo ao metro Paraíso (linha azul CPTM), está com uma exibição Provocar/Convocar Urbanos que provoca a reflexão da ocupação urbana e da ambiguidade de ser muito povoada com migrações e também multifacetada. Dentre os três andares de exposição, diferentes artistas contemporâneos exibem suas obras, cada qual com uma reflexão social. Gostei muito da obra do Rodrigo Bueno, que retratou a liberdade do vento em meio a vasos de plantas emaranhados em grades de ferro. A combinação dos ferros de padrões gráficos com as plantas frágeis e cada vez mais raras na cidade me chamou atenção. Outra artista que me despertou atenção foi Ángela León com seus desenhos feitos em carvão, que retratam a cidade de SP com um toque de  diversão a mais. Além disso, ela criou um Guia com seus desenhos e descrições interessantes que misturam espaços públicos com toques da imaginação. Vale muito a pena mergulhar nos espaços dessa exposição!

Quando?
Até 31/07/2016
Terças a sextas das 10h às 21h30
Sábados das 10h às 20h30
Domingos e feriados das 10h às 18h30

Onde?
Rua Pelotas, 141 - Vila Mariana
CEP 04012-000
Mapa aqui (tem o Sesc Vl. Mariana e o Tomie Ohtake)

Info extra
tel (11) 5080-3000
email@vilamariana.sescsp.org.br
sescsp.org.br



Outro mega passeio que eu indico é para o Instituto Tomie Ohtake! Lá é um espaço muito gostoso e tranquilo, com fácil acesso pelo metro Faria Lima (linha amarela CPTM), onde quatro exposições diferentes marcam o local. (Mapa aqui com o roteiro de exposições de Sesc Vl. Mariana e T.Ohtake).

 


Uma delas chama-se "Orbis Tertius" e conta um pouco da artista Ohtake e sua carreira artística. Em uma breve linha do tempo percebe-se seus traços próprios como o dinamismo das formas curvas e suas cores.
Quando?
A partir de 20 de fevereiro de 2016
Terça a domingo das 11h às 20h

Dissociazione dai bordo - Franco Grignani



Getúlio Alviani

Toni Costa
Paolo Scirpa

Alberto Biasi

 No mesmo Instituto, visite também o "Olhar em movimento" que conta com a arte cinética italiana dos anos de 1950 até a década de 70. Se pudesse falar só uma palavra sobre essa exposição seria vivacidade. As obras ganham vida a partir do momento que se mexem, e mesmo as que não se mexem, dependem do observador para serem interpretadas de posições diferentes! Simplesmente impressionante! (Fotos acima)
Quando?
17 de março até 1 de maio 2016
Terça a domingo das 11h às 20h



"Aprendendo com Dorival Caymmi: Civilização praieira" é uma exibição de pinturas que com as cadeiras da sala provocam sinestesia. Pra quem quer matar uma saudadezinha da praia deve conhecer as telas do pintor José Pancetti.
Quando?
3 de Março a 1 de Maio 2016
Terça a domingo das 11h às 20h

Sebastião Salgado

Pra fechar o roteiro de passeio com chave de ouro, indico "Perfume de Sonho - uma viagem ao mundo do café" de Sebastião Salgado. Contando um pouco de sua história, Sebastião encanta com fotografias sensíveis sobre a vida de homens, mulheres e crianças que cultivam o café, assim como outros processos de colheita. Dessa forma, o observador se depara com a realidade de famílias de diversos países que acabam sendo pouco lembradas ao se tomar um café diariamente. O jogo de luz e sombra e a mistura de texturas são marcas registradas do fotógrafo! Não tem como não se emocionar!
Quando?
7 de abril a 8 de maio 2016
Terça a domingo das 11h às 20h
Para ações educativas, agendamentos e cursos: tel (11) 2245-1937

#illycaffe
#livehappilly


Infos gerais do Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 Pinheiros, São Paulo
Entrada pela Rua Coropés
Tel (11) 2245-1900
instituto@institutotomieohtake.org.br
www.institutotomieohtake.org.br

Espero que se divirtam muito! Conta pra mim nos comentários o que vcs acharam! ;)

 

 

abril 10, 2016

Percebeu?

Você percebe que está na faculdade quando dormir vira um luxo.

Você percebe que está na faculdade quando o final de semana de sair é quando acaba o bimestre.

Você percebe que está na faculdade quando alguém na rua te pergunta se você tem um minuto e você lembra que nem um minuto tem.

Você percebe que está na faculdade quando vai comprar cola prit as 19h de um domingo pra continuar o trabalho.

Você percebe que está gostando do curso quando não quer ser modesta sobre seu trabalho.

Você percebe que está gostando do curso quando você fica até 1h da manhã de uma segunda fazendo trabalho e só vai dormir pq no outro dia acorda às 5h da manhã pra ir pra faculdade.

Você percebe que está gostando do curso quando imprimir 150 imagens e cortar uma por uma em filetes e reordena las é divertido.

Você percebe que está gostando do curso quando seu coração está em cada trabalho. 

março 25, 2016

Ônibus errado



Meio da semana. Quarta feira. O dia que eu mais carrego bolsas e ainda pra ajudar estava chovendo. Levantei no mesmo horário de sempre, 5:15, o horário mais cedo que eu já levantei na vida. Depois de comer, me trocar e escovar os dentes fui para o ponto de ônibus.
Mas adivinha? Estava tão animada naquela manhã, provavelmente porque estava com todas as atividades em dia, que dei sinal pro ônibus quando ele estava tão longe do ponto, que o motorista não viu. Sim, ele simplesmente não viu porque ele começou a acelerar ainda mais e quando eu dei sinal de novo, este estava a uma velocidade e longe da faixa exclusiva de ônibus que não teve como parar para eu subir.
Eu não sabia onde colocar todo o meu espanto da cena que tinha acabado de acontecer. Não tinha como entender o que tinha acabado de acontecer.
Enfim, continuei no ponto e depois de 20 min passou outro ônibus, e neste, eu consegui subir, junto com a minha mochila, minha pasta A3, meu tubo e minha sacola com tinta nanquim na outra mão.
Passando a catraca com muito esforço, eu peguei um cantinho, que até uma senhora que estava sentada de ofereceu pra carregar parte das minhas coisas. Fiquei por ali mesmo, a bondade dela me magnetizou e até depois que ela desceu do ônibus fiquei pensando que atitudes pequenas de empatia mudam o dia.
Um pouco antes dela descer, uma moça que eu já conheço de vista, pois ela sempre pega o mesmo ônibus que eu, passou a catraca e sentou perto da onde eu estava. Logo depois disso, consegui sentar também e a gente começou a conversar.
Eu sempre soube que nada é por acaso e isso só se confirmou quando eu ouvi que naquele dia ela perdeu o ônibus do horário que ela pega e eu também! Então, por mais estranho que possa ser, esse dia fez com que nos duas conversássemos, que tínhamos perdido o ônibus de sempre, o mesmo que a gente pegava todos os dias e que não nos aproximou. Definitivamente, a gente atrai as pessoas pelo que a gente emite em pensamento; a senhorinha sentada me ajudou com as minhas bolsas e essa moça estudante também não fizeram parte do meu dia por um acaso.

março 08, 2016

Nasci livre - é verdade. Ou melhor: nasci com asas. Nem sempre soube voar e por muito tempo não quis. De meus irmãos, fui a última a sair do ninho para enfrentar o famoso "mundo lá fora". Ainda assim, não vou cair em idealizações: a vida lá era cheia de um bege enjoativo e por vezes o vento levava grande parte de seu aconchego. A verdade é que tinha medo, assim como minha mãe. Coitadinha - nunca aprendeu outra existência que não a de "mãe". E é por isso que se agarrava a seu último filho como à própria existência.
Mas os ventos sempre sopram em muitas direções e naquela noite eles sopraram. Me levaram para Longe, um lugar instável e isolado onde, de inicio, só conseguia cair em desespero. Os gritos de minha mãe, ao longe, implorando para que eu voltasse, já não podiam ser atendidos. No último instante, quando o galho que me sustentava estava prestes  se romper eu voei.
Dores imensas e prazeres imensos se seguiram. Sem dúvida, valeu cada pena perdida na queda. Passei semanas com beija-flores, meses com sabiás. Eram pássaros de todas as cores. Enquanto as araras eram graciosas, os papagaios me davam nos nervos. E, ah, a grande ironia: toda essa experiência sempre me levava ao pinguim.
Após me tornar próxima o suficiente, acredito ter uma revelação de utilidade pública: não é verdade que ele não sabe voar, a verdade é que não quer. Talvez nem ele próprio saiba disso, mas tudo aquilo que vemos em cima da terra ele vê de forma infinitamente mais bela debaixo d'água. Não precisa voar porque já sabe nadar. De todos, o único que me fez querer ficar. Não fiquei.
De tempos em tempos, uma corrente de ar desestabiliza o meu caminho e me oferece - quase que obriga - uma nova viagem. Tenho uma confissão: já estou cansada de viajar. Sinto-me como que numa eterna espera do Perto, um lugar para descansar. Talvez como aqueles domesticados que, desconhecendo a vida fora da gaiola, acreditam ser só aquilo. Ouvir dizer que ganham comida sem precisar se mover e, se forem dóceis o suficiente, até cafuné!
Muitas vezes, quando o sol está a pino numa linda praia deserta onde posso desfrutar de pequenos mergulhos, sinto falta do frio para me obrigar a procurar abrigo nas nadadeiras do pinguim - hoje devidamente ocupadas por alguém de sua espécie. Se pudesse, trocaria minhas asas por nadadeiras sem pensar duas vezes. Mas os ventos sempre sopram e eu não sei nadar.
Penso que talvez aquele papagaio irritante e burro, após tanto distorcer o que ouviu, finalmente tenha dito algo certo: quem nunca aprendeu a não voar, não aprendeu a voar de verdade - é só escravo do vento.
 
Escrito por Paula Bianchini, primeiro texto dela no blog

fevereiro 21, 2016

Guia de exposições em SP

São Paulo é um grande centro cultural do país e sempre tem váaarias exposições acontecendo, o que é muito bom! Aproveitando a deixa do penúltimo post para sair da rotina e se deixar mergulhar nas artes, hoje vou falar de algumas exposições que eu fui recentemente, ok??

O Mundo de Tim Burton - Museu da Imagem e do Som (MIS)
Até 15/05/2016




Como não amar essa exposição?? Inúmeros desenhos do diretor mais humor-negro e sarcástico da atualidade estão expostos, como projetos que nunca saíram do papel, desenhos de infância, curtas, entre outros. Estão expostos também um pouco das inspirações pessoais de Burton, como Van Gogh e Edgar Allan Poe. Além de contar um pouco da história profissional, é possível também interagir com algumas instalações, como um escorregador gigante que foi colocado entre dois andares! O Brasil foi o primeiro local que essa exposição ganhou um escorregador (está entre dois andares dentro da exposição) e Tim afirmou que daqui em diante a instalação vai acompanhar as próximas paradas! Vale muito a pena!

Infos da compra de ingressos aqui. Endereço: Av Europa, 158 - Jardim Europa, São Paulo Só não gostei que não pode tirar foto. kkkkk



Um Corpo Estranho - Casa das Rosas
Até 29/02/2016

Casa das Rosas - Av Paulista, 37 São Paulo, SP

Casa das Rosas - Imagem autoral

Casa das Rosas - Imagem autoral
Referencia ao livro "A metamorfose"



Livros escritos por Kafka, expostos no segundo andar


Essa exposição eu passei em um tempinho livre, passando pela Av Paulista. A exibição se trata dos 100 anos da publicação do livro "A metamorfose" de Franz Kafka (1883-1924), um dos criadores mais importantes da literatura, que influencia a filosofia, cinema, teatro e outras artes até os dias atuais. A obra traz Gregor Samsa, personagem que se transforma em um inseto monstruoso e de maneira realista e cruel a aceitação do seu papel familiar é questionada. Além das músicas tocadas em uma das salas, que ajuda a aumentar o clima pessimista, há também um inseto (não verdadeiro) instalado no teto, em tamanho aumentado. Vale a visita para conhecer mais sobre a literatura de Kafka, além de outros livros também escritos por ele que estão no segundo andar.

Visitação de terça a domingo das 10h às 17h. Av Paulista, 37 São Paulo, SP. Entrada franca



Piet Mondrian - Centro Cultural Banco do Brasil
Até 4/4

Cadeira na exposição para sentar-se

Espaço para mexer nos objetos e sentir texturas e temperaturas

Piet Mondrian


Dentro da Casa de Mondrian

 
 
Bolinho fofo do Café Centro Cultural Banco do Brasil
 


Utilizando-se só das cores primárias (vermelho, azul e amarelo), além de preto, branco e cinza, combinadas com linhas verticais e horizontais, Piet Mondrian (1872-1944) criou quadros com perfeita harmonia e clareza. Ele fundou, juntamente com Doesburg (artista holandês) em 1917 o movimento europeu chamado De Stijl (O Estilo), que apoiara a aplicação universal e o neoplasticismo. Dentre as inspirações de Mondrian estão Van Gogh com as pinceladas bem marcadas e cores sóbrias, Cubismo e sua clareza nas formas geométricas, Picasso. Isso se reflete nas suas obras claras perante o caos da modernidade. Uma das partes que mais gostei na exposição é um espaço para a reorganização de objetos nas cores primárias, como as formas geométricas nos quadros. Nesse espaço, cada bloco de cor tem um peso, uma textura e tamanhos diferentes, caracterizando a mensagem de cada cor e como elas provocam sensações diferentes nas pessoas. Sem contar também a cadeira da entrada que é possível sentar e sentir sua originalidade. Além disso, tem um espaço interativo para as crianças no subsolo, onde começa a exposição. ;)

Visitação com hora agendada pelo aplicativo "CCBB" e site bb.com.br/cultura ou na bilheteria, mediante disponibilidade. Entrada franca. De quarta a segunda das 9h as 21h. Local: Rua Álvares Penteado, 112 - Centro, São Paulo


Ps: Todas as fotos desse post são de minha autoria, então ao repassa-las, por favor, colocar meu nome Clara Davanso, ou meu inta @claradavn

Eai, gostou do post??
Me conta nos comentários se você já foi em alguma dessas exposições!! ;)

Sobre duas rodas








Pra quem mora em São Paulo ou está visitando tem uma dica ótima para aproveitar o domingo que é andar pelas ciclofaixas e/ou ciclovias espalhadas pela cidade! Hoje mesmo fui pela primeira vez para o famoso minhocão, ou Elevado Presidente Costa e Silva (mapa aqui), que aos domingos fica aberta apenas para os pedestres e ciclistas. Além de estar totalmente aberta para a população passear, levar cachorros, andar com os filhos, caminhar e andar de bike, o trecho é praticamente plano!

A Av Paulista tem ciclofaixa permanente e também tem essa vantagem de ser plana! Então, fica menos cansativo andar e dá pra ir mais longe! Suuuper recomendo!

Se você não tiver bicicleta e não quiser perder esse passeio de bike é só pegar as bicicletas do Bradesco ou do Itaú. Tem um posto do Bradesco no final da Av Paulista, perto do metro Consolação, e é só deixar o seu RG e você tem uma hora para andar com a bike! Legal, ne?

Sem contar que dá pra tirar umas fotos do centro, como as que eu tirei andando de bike no Minhocão. Vale lembrar também que do Minhocão para a Av Paulista, pela Rua da Consolação, é uma subida longa mas não tão inclinada. Com paciência e uns goles de água dá pra subir! ;)


Então, não tem desculpa para não aproveitar o domingo andando de bike, hein! hahahah
Ps: As fotos são de minha autoria e caso queira repassar, por favor, marque meu nome Clara Davanso. No insta: @claradavn


Deixa nos comentários o que você acha sobre esse tipo de passeio e por onde você gosta de passear!